sábado, 13 de junio de 2015

Pessoa

En el último número de la revista, publicamos un poema de Álvaro de Campos en su lengua original, o lo que es lo mismo, de uno de los heterónimos más famosos de Fernando Pessoa. 

Lisbon Revisited (1923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada. 


Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer. 


Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral! 


Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna! 


Que mal fiz eu aos deuses todos? 


Se têm a verdade, guardem-na! 


Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? 


Não me macem, por amor de Deus! 


Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos? 


Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! 


Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

 
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho! 



martes, 2 de junio de 2015

Magazine #3 especial: urbi et orbi

Urbi et orbi, “para la ciudad y para el orbe”, así titulamos el número 3 de Ravenswood Fanzine, dedicado a las ciudades, a los núcleos urbanos y a la pesada carga que en ocasiones supone vivir en ellas. De nuevo una magnífica portada del ilustrador Krri: delicada, enigmática y preñada de preciosos detalles. Siempre que se piensa en el concepto ciudad, las imágenes del Metrópolis de Fritz Lang inundan nuestra mente, versión personalísima que también nos ofrece Krri, así como otra simbólica ilustración de lo insoportable que puede ser vivir –y resistir– en una urbe. Grata sorpresa es la que nos hemos llevado con Jesús Cortés y su meticuloso ensayo, muy bien llevado a su terreno. El poeta y gran escritor Juan Manuel Gil nos regala uno de sus artículos recogidos en su nuevo libro: Hipstamatic 100. El también poeta Antonio Cruz colabora con dos poemas, uno de ellos inédito; e incluimos a su vez  un poema (original en portugués) de Fernando Pessoa. Vuelve a colaborar Erica Katsma que nos aporta dos preciosas y melancólicas fotografías de su Ámsterdam natal, y Chencho Ruiz otras dos magníficas imágenes de la Lisboa del citado Pessoa. Y nuestro espacio cinematográfico de la contraportada es en esta ocasión para Stalker, el poético y metafórico filme dirigido por uno de los más grandes: Andrei Tarkovski. Hasta la próxima.  


índice #3 especial: urbi et orbi

 Ronda de noche – Krri (Portada)  
Hay tres nombres para nombrar una ciudad – Jesús Cortés (2)  
Lisboa: una noche con Pessoa – Chencho Ruiz (4)  
Lisbon Revisited (1923) – Fernando Pessoa (5)  
Fritz Lang asfixiado en su Metrópolis – Krri (7)  
Praga – Juan Manuel Gil (8)   
La pesada carga de la ciudad – Krri (10)  
Noche en vela – Erica Katsma (11)  
Muerte en los canales. Requiem æternam – Antonio Cruz (12)  
Ámsterdam, visiones, espejismos – Erica Katsma (13)  
Acrópolis – Antonio Cruz (14)  
índice / créditos (15)  
Stalker (A. Tarkovski) / Colofón (Contraportada)